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O que é IFC e por que todo engenheiro deve saber abrir

Entenda o que é o formato IFC, as diferenças entre IFC 2x3 e IFC 4, o que ele carrega e como ver modelos 3D sem depender de softwares proprietários caros.

Capa do artigo: O que é IFC e por que todo engenheiro deve saber abrir

A transição da engenharia civil tradicional baseada em desenhos bidimensionais para a modelagem da informação da construção, conhecida pela sigla BIM, transformou a forma como projetistas e construtores trocam dados técnicos. No centro dessa transformação está o formato IFC, sigla para Industry Foundation Classes. Trata-se de uma especificação internacional aberta, neutra e padronizada pela buildingSMART, cujo principal propósito é permitir a interoperabilidade total entre diferentes sistemas computacionais.

Em um mercado no qual arquitetos utilizam ferramentas distintas das adotadas por calculistas estruturais e projetistas de instalações prediais, a dependência de formatos proprietários fechados cria barreiras severas de comunicação. Saber o que é um arquivo IFC, como ele funciona e como abri-lo sem atritos operacionais tornou-se uma competência básica para qualquer profissional da construção civil que deseje manter relevância técnica e eficiência comercial.

O que é o formato IFC no contexto do BIM

Diferente de uma simples extensão gráfica como DWG ou DXF, que armazena primordialmente vetores geométricos, linhas, círculos e textos soltos, o IFC é um banco de dados estruturado em formato textual orientado a objetos. Isso significa que, dentro de um arquivo IFC, uma parede não é apenas a representação visual de dois traços paralelos preenchidos com hachura. Trata-se de uma entidade computacional denominada IfcWall, dotada de espessura, altura, propriedades térmicas, especificações de materiais, classificação de resistência ao fogo e vínculos com outros elementos do edifício.

O formato foi idealizado para ser o alicerce do chamado openBIM, movimento que defende que os dados de uma edificação devem pertencer ao cliente e à sociedade, e não a empresas desenvolvedoras de software. No Brasil, essa diretriz ganhou força com as exigências públicas de adoção do BIM em licitações e contratações governamentais, que determinam expressamente que as entregas de modelos digitais ocorram em formatos abertos e não vinculados a licenças comerciais específicas.

Quando um calculista desenvolve a estrutura de concreto armado no AltoQI Eberick, ele precisa enviar o modelo tridimensional para que o projetista hidrossanitário verifique no AltoQI QiBuilder o posicionamento de tubulações e prumadas. O formato IFC é exatamente a linguagem comum que possibilita essa ponte sem perda de informações paramétricas vitais.

Anatomia de um arquivo IFC: geometria e metadados

Para entender a robustez do formato, o engenheiro civil deve compreender que o IFC é composto por duas camadas inseparáveis: a representação geométrica tridimensional e os metadados associados.

A camada geométrica define os contornos espaciais de cada elemento construtivo. Ela informa as coordenadas cartesianas de pilares, vigas, lajes, sapatas, tubos e eletrocalhas, definindo alturas, comprimentos e ângulos relativos ao sistema de coordenadas global do empreendimento.

Já a camada de metadados, muitas vezes negligenciada por quem enxerga o BIM apenas como uma maquete 3D bonita, carrega as especificações técnicas detalhadas de cada componente. Cada elemento possui conjuntos de propriedades chamados Property Sets, ou Psets. Em uma viga de concreto, por exemplo, o IFC pode carregar:

  • A classe de resistência do concreto (fck), essencial para conferência estrutural;
  • O volume exato de concreto e a área total de fôrma, utilizados em orçamentos precisos;
  • A posição exata em relação aos eixos estruturais e ao nível do pavimento de referência;
  • A indicação se o elemento é estrutural ou de vedação, diferenciando cargas portantes;
  • Dados do fornecedor, fabricante ou etapas de execução no canteiro de obras.

Essa riqueza de dados transforma o arquivo IFC na espinha dorsal da gestão da construção, permitindo que orçamentistas, planejadores e fiscais de obra extraiam dados quantitativos confiáveis diretamente do modelo digital.

Diferenças cruciais entre IFC 2x3 e IFC 4

Ao exportar ou receber um arquivo, o engenheiro invariavelmente se depara com a escolha da versão do esquema IFC. Embora existam outras ramificações em desenvolvimento, duas versões dominam o ecossistema prático dos escritórios de engenharia: o IFC 2x3 e o IFC 4.

A versão IFC 2x3 (especificamente a Coordination View 2.0) foi lançada nos anos 2000 e consolidou-se como o padrão mais estável e universalmente suportado pelos softwares de projeto. Quase qualquer ferramenta do mercado consegue ler e gravar essa versão sem travamentos ou falhas grosseiras de interpretação. Por essa razão histórica, ela ainda é amplamente solicitada em termos de referência e editais.

Por outro lado, a versão IFC 4 trouxe melhorias substanciais. Ela aprimorou a capacidade de descrever geometrias complexas, reduziu inconsistências na conversão de curvas e superfícies, introduziu novos tipos de elementos de infraestrutura e ampliou consideravelmente os esquemas de metadados relacionados à sustentabilidade, eficiência energética e ciclo de vida.

Critério de Comparação Versão IFC 2x3 Versão IFC 4
Estabilidade de mercado Altíssima, compatível com softwares antigos Alta, suportada pelos programas modernos
Suporte a geometrias curvas Limitado, faz facetamento de arcos Avançado, mantém superfícies matemáticas
Eficiência no tamanho do arquivo Arquivos maiores em geometrias densas Otimização geométrica e menor redundância
Propriedades térmicas e ambientais Conjuntos de propriedades básicos Conjuntos abrangentes de ciclo de vida
Uso recomendado Compatibilização simples em ferramentas legadas Projetos novos com coordenação multidisciplinar

Para o dia a dia do escritório de cálculo e instalações, o IFC 2x3 ainda é a aposta mais segura quando não se conhece com exatidão qual ferramenta será utilizada pela outra ponta da cadeia. Contudo, quando todos os parceiros operam ferramentas atualizadas, o IFC 4 oferece maior fidelidade geométrica e menor propensão a erros de facetas em elementos curvos.

Por que todo engenheiro deve saber abrir e inspecionar um IFC

Ainda é comum encontrar engenheiros civis experientes que travam o fluxo de trabalho quando recebem um arquivo com extensão .ifc. O profissional abre o programa de CAD convencional, descobre que o arquivo não abre por padrão, solicita a prancha em DWG e ignora completamente o modelo tridimensional entregue pelo parceiro de projeto.

Essa atitude compromete a qualidade da engenharia entregue por três motivos fundamentais:

Primeiro, a visualização tridimensional evita retrabalho. Ao inspecionar o modelo estrutural em conjunto com a arquitetura, o calculista percebe imediatamente vigas invertidas que cortam janelas, pilares desalinhados que invadem portas ou desníveis de laje não representados com clareza nos cortes 2D.

Segundo, a conferência de interferências, assunto detalhado em nosso checklist de compatibilização BIM e o que a IA já aponta, depende da sobreposição de modelos das diversas disciplinas. Se o engenheiro não sabe carregar o IFC de hidráulica para checar as furações estruturais, a obra sofrerá com cortes improvisados na armadura durante a execução.

Terceiro, a manutenção de uma estrutura de arquivos limpa e compreensível, tema abordado em nosso guia de organização de arquivos de projeto de engenharia, exige que o profissional saiba arquivar e auditar cada entrega técnica em formato neutro, garantindo que o cliente consiga acessar o projeto daqui a dez ou vinte anos.

Como visualizar modelos IFC sem softwares pagos

Um dos maiores mitos que cercam o BIM no Brasil é a ideia de que visualizar um modelo IFC exige computadores de alto custo com placas gráficas dedicadas e assinaturas anuais de softwares pesados que custam milhares de reais.

Na realidade, existem alternativas gratuitas e extremamente funcionais para a rotina diária:

Visualizadores desktop gratuitos

Existem programas desenvolvidos com o único objetivo de ler modelos IFC, permitindo navegar pela geometria espacial, isolar pavimentos, ocultar categorias de elementos e clicar sobre peças para inspecionar seus metadados. Esses visualizadores são leves, rápidos de carregar e suficientes para quase todas as tarefas de checagem técnica de um canteiro ou escritório.

Soluções baseadas em navegador web

O avanço das tecnologias de renderização gráfica na web, como WebGL e bibliotecas computacionais compiladas em WebAssembly, permite hoje abrir modelos IFC diretamente em navegadores convencionais, tanto no computador quanto no celular.

Essa abordagem elimina a necessidade de instalar programas corporativos em cada máquina da equipe. Uma vez carregado o modelo, o engenheiro consegue realizar medições de vãos livres, girar a visualização da fundação à cobertura e conferir os dados paramétricos dos pilares sem qualquer custo de licença.

Ao dominar essas ferramentas leves, o engenheiro ganha agilidade, responde dúvidas de obra em tempo real e consolida uma postura técnica alinhada com as exigências contemporâneas da engenharia civil.

Como o Bildek ajuda

O Bildek traz um conversor IFC nativo que transforma modelos complexos em páginas HTML 3D leves. Com ele, você visualiza a estrutura completa em qualquer navegador sem necessidade de softwares pesados. O aplicativo desktop também permite inspecionar propriedades e navegar pelos elementos do projeto. Experimente o conversor online em /ferramentas/ifc/ ou baixe o app gratuito em /app/.

Publicado por Nardoto Engenharia. Conheça quem faz o Bildek.

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